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Aplicativos educativos para crianças de 1 a 6 anos: como escolher bem (8 critérios)

Equipe Lulla Kids · Atualizado: · 9 min de leitura

Em resumo

  • O rótulo “educativo” não é garantia: numa análise de 2021 de 124 aplicativos “educativos” populares (Meyer, Zosh e colegas), 58% receberam uma pontuação de qualidade baixa.
  • O que conta, segundo a ciência da aprendizagem: o trabalho de 2015 de Hirsh-Pasek, Zosh, Golinkoff e colegas considera educativo o aplicativo em que a criança pensa ativamente (não só toca na tela), não se distrai, liga o que faz à própria vida e conversa com alguém sobre o que aprende.
  • A publicidade está em quase todo lugar: num estudo de 2019, 95% dos aplicativos analisados para crianças de até 5 anos tinham pelo menos uma forma de publicidade (de personagens de marca e ofertas da versão completa a anúncios em vídeo), e os rotulados como “educativos” não eram exceção.
  • 8 critérios rápidos (lista completa): o aplicativo não tem anúncios nem pressões, é adequado à idade, ativo, com controle parental e limite de tempo, com poucos dados e sem conta, funciona sem internet, tem preços claros e um design calmo.
  • Jogue você primeiro, depois junto com a criança: a Academia Americana de Pediatria (AAP, 2026) diz que os efeitos do conteúdo de qualidade aumentam quando o adulto participa.

Os aplicativos educativos para crianças são mesmo educativos?

Os aplicativos educativos para crianças não são automaticamente educativos: numa análise de 2021 de 124 aplicativos populares, entre eles os 100 primeiros aplicativos educativos para crianças nos rankings do Google Play e da App Store, 58% receberam pontuação de qualidade baixa. Os pesquisadores, entre eles Jennifer Zosh e Kathy Hirsh-Pasek, avaliaram cada um por quatro “pilares” da aprendizagem.

Os pilares vêm de um trabalho de 2015 dos psicólogos Kathy Hirsh-Pasek, Jennifer Zosh, Roberta Golinkoff e colegas, publicado na Psychological Science in the Public Interest. Os autores consideram educativos os aplicativos que incentivam a criança a aprender de forma ativa, engajada, significativa e com outras pessoas, seguindo um objetivo de aprendizagem para o qual a criança é guiada. Em resumo, segundo a nota da Association for Psychological Science (APS, 2015), um bom aplicativo é:

  • ativo: exige esforço mental, não só deslizar o dedo;
  • sem distrações: mantém a criança atenta ao que está aprendendo; a APS observa que sons, movimentos e efeitos visuais que chamam a atenção podem distrair;
  • significativo: ligado à vida da criança;
  • social: as crianças aprendem melhor junto com outras pessoas.

Na análise de 2021, cada pilar recebeu de 0 a 3 pontos: 72 dos 124 aplicativos (58%) tiveram pontuação total de no máximo 4, ou seja, de qualidade baixa. Os gratuitos receberam pontuações menores do que os pagos, por causa dos elementos que distraem.

Daí o conselho de Jennifer Zosh (Penn State, 2021): não acredite automaticamente que um aplicativo rotulado como “educativo” na loja seja mesmo educativo.

O que os pediatras recomendam sobre aplicativos para crianças?

A Academia Americana de Pediatria (AAP, 2026) diz que, em pré-escolares, o conteúdo educativo de qualidade está associado a mais comportamento pró-social e a uma linguagem melhor, e que os efeitos são mais fortes quando um adulto participa. A AAP também alerta para aplicativos fracos com pretensões “educativas”, com anúncios, muita “gamificação” e design manipulador.

Na declaração “Digital Ecosystems, Children, and Adolescents” (2026), a AAP observa que alguns aplicativos educativos podem apoiar a aprendizagem da linguagem e das disciplinas STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática). Entre os riscos, aponta os objetivos de aprendizagem superficiais e o design manipulador, que empurra para compras ou para mais tempo de tela.

No HealthyChildren.org, o site da AAP para pais, o conselho (2026) é usar só aplicativos e programas que ensinem algo às crianças, estimulem a criatividade e incentivem a conexão com os outros; evitar conteúdo com muitos anúncios, violento ou inadequado para a idade; e desligar a reprodução automática e as notificações, feitas para manter as crianças presas por mais tempo.

Jennifer Zosh (Penn State, 2021) recomenda conversar com a criança sobre o que está acontecendo enquanto ela brinca e mostrar as coisas ao redor que se ligam ao que ela vê no aplicativo. Um exemplo: depois de um jogo com os sons dos animais, procurem juntos um cachorro num livro ou no parque.

E o tempo também conta. A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2019) não recomenda tempo de tela antes de 1 ano nem tempo sedentário diante de telas com 1 ano; dos 2 aos 4 anos, no máximo uma hora por dia, e quanto menos, melhor. Detalhes por idade estão no artigo sobre telas na primeira infância.

Os aplicativos para crianças pequenas têm anúncios e armadilhas?

Nos aplicativos para crianças pequenas, a publicidade está em quase todo lugar: um estudo de 2019 da Universidade de Michigan, publicado no Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics, encontrou pelo menos uma forma de publicidade em 129 de 135 aplicativos (95%) usados por crianças de até 5 anos ou feitos para elas. Os rotulados como “educativos” não eram exceção.

A equipe, com Marisa Meyer e a pediatra Jenny Radesky, incluiu na análise 96 dos aplicativos mais baixados da sua categoria no Google Play. O que mais encontraram:

  • a publicidade incluía personagens de marca, ofertas da versão completa e pedidos de avaliação, e estava em todos os gratuitos e em 88% dos pagos;
  • 35% tinham anúncios que aparecem sozinhos e interrompem o jogo, alguns impossíveis de fechar na hora; 7% tinham anúncios escondidos ou disfarçados de objetos do jogo;
  • alguns personagens se mostravam decepcionados quando a criança não conseguia ou não escolhia os itens bloqueados, e os autores dizem que isso pode ser descrito como pressão social.

Os autores lembram que, segundo pesquisas anteriores, crianças com menos de 6⁠–⁠8 anos não conseguem diferenciar conteúdo de publicidade, e um anúncio misturado ao jogo pode ser ainda mais difícil de evitar.

Em 2022, uma equipe liderada também por Jenny Radesky publicou na JAMA Network Open uma análise de 133 aplicativos usados por 160 crianças de 3 a 5 anos, em busca de design manipulador: interações inadequadas para a idade ou elementos que tiram da criança a liberdade de escolher, para que o aplicativo ganhe dinheiro. Só 20% dos aplicativos não tinham nenhum elemento desse tipo. Entre os truques analisados:

  • a pressão do personagem: um personagem empurra a criança a jogar mais ou a comprar, fazendo-a sentir vergonha, provocando-a ou manipulando-a;
  • a pressão do tempo: pressa inventada nos momentos de decisão, por exemplo uma contagem regressiva;
  • as iscas: fichas, recompensas, brinquedos virtuais e sinais visuais que empurram para uma determinada ação;
  • a pressão dos anúncios: anúncios que insistem em ser vistos ou oferecem recompensas para quem assistir.

Como escolher um aplicativo para criança? 8 critérios

Um bom aplicativo para criança passa por oito verificações que você mesmo pode fazer no Google Play e nos primeiros minutos de jogo: sem anúncios e sem iscas, adequado à idade, ativo, com controle parental e limite de tempo, com poucos dados e sem conta, funciona sem internet, tem preços claros e um design calmo.

  1. Sem anúncios e sem iscas. Procure aplicativos infantis sem anúncios, sem botões de compra ao alcance da criança e sem moedas que a chamem de volta. Como conferir: no Google Play, os aplicativos com anúncios têm o rótulo “Contém anúncios”, declarado pelo desenvolvedor. Ele não cobre as ofertas de compra: para elas, o Google Play mostra à parte a indicação “Oferece compras no app”, abaixo do nome do aplicativo no site ou perto do botão Instalar no app do Google Play. Mas com que frequência e com que insistência as ofertas aparecem, você só vê jogando.
  2. Adequado à idade, com dificuldade que cresce junto com a criança. Um jogo difícil demais frustra; um fácil demais entedia. Como conferir: quando procurar jogos educativos para crianças de 2 a 3 anos, veja se o aplicativo pede a idade e se muda algo de acordo com ela, por exemplo quantas opções aparecem na tela. Com 1 ano, a OMS (2019) não recomenda tempo sedentário diante de telas, então você pode muito bem esperar mais um pouco.
  3. Ativo, não passivo. A criança escolhe, conta, combina, responde; se ela só toca para disparar uma animação, está mais perto de um desenho animado. Como conferir: depois de cinco minutos, pergunte-se no que ela precisou pensar.
  4. Controle parental e um limite de tempo de verdade. As configurações e as compras ficam atrás de uma verificação para adultos, e o jogo para quando acaba o limite que você escolheu, sem passar sozinho para “só mais uma fase”. Como conferir: procure o limite nas configurações; se não existir, use os limites de tempo do próprio celular. Os autores da análise de 2021 também recomendam que os pais instalem eles mesmos os aplicativos ou coloquem uma senha para qualquer download.
  5. Poucos dados, sem conta. Um estudo de 2020 publicado na JAMA Pediatrics descobriu que 303 de 451 aplicativos usados por pré-escolares (67%) enviavam identificadores digitais persistentes a terceiros. Como conferir: a seção “Segurança dos dados” do Google Play, preenchida pelo desenvolvedor, mostra que dados o aplicativo coleta e se os compartilha. Pergunte-se também se o jogo precisa mesmo de conta, e-mail, câmera, microfone ou localização.
  6. Funciona sem internet. Útil no carro, no avião ou onde não há sinal. Como conferir: coloque o celular no modo avião e abra o aplicativo.
  7. Preços claros. Você sabe de antemão o que é grátis, o que é pago, quanto dura o período de teste, quanto você paga depois dele e como cancelar. Como conferir: procure os preços na descrição do Google Play ou no site do aplicativo antes de iniciar o período de teste. Bom saber: no Google Play, desinstalar o aplicativo não cancela a assinatura, e depois do cancelamento você continua usando até o fim do período já pago.
  8. Design calmo, sem cronômetros e sem pressão. Sem contagens regressivas, sem personagens que ficam bravos, sem “Você perdeu!”. Como conferir: erre de propósito algumas vezes e veja como o aplicativo reage.

Quando vale a pena desinstalar um aplicativo infantil?

Os autores do estudo de 2019 sobre anúncios em aplicativos para crianças pequenas recomendam jogar junto com a criança e desinstalar os aplicativos com anúncios demais ou com design manipulador. Os sinais típicos: anúncios que interrompem o jogo, personagens que incentivam a criança a comprar ou a jogar mais, contagens regressivas e pedidos de dados sem motivo.

No HealthyChildren.org (2026), a Academia Americana de Pediatria lembra aos pais que a reprodução automática, a rolagem infinita e os anúncios direcionados não foram pensados para o bem das crianças. Procure outra opção se você notar:

  • anúncios que interrompem o jogo ou não podem ser fechados na hora;
  • itens ou fases bloqueados que os personagens incentivam a criança a comprar;
  • personagens que ficam tristes, ficam bravos ou empurram a criança a jogar mais;
  • contagens regressivas, “oferta só agora”, baús e moedas a cada passo;
  • fases que começam sozinhas, sem um ponto natural de parada;
  • pedidos de conta, e-mail ou acesso a fotos, microfone ou localização, sem um motivo claro;
  • período de teste sem o preço que vem depois ou sem dizer que a assinatura se renova automaticamente.

Muitos deles aparecem rápido se você jogar primeiro por uns 10 minutos: termine uma fase, erre, deixe o jogo parado por um minuto. Depois, na primeira vez que entregar o celular à criança, joguem juntos.

Uma palavra sobre nós: o Lulla Kids, nosso aplicativo para crianças de 1 a 6 anos (as de 1 a 2 anos brincam junto com o pai ou a mãe), não tem anúncios, não pede conta, funciona sem internet e não tem cronômetros. O limite diário é você quem escolhe, e as configurações ficam na área dos adultos, protegida por uma pergunta para adultos. É só para Android e ainda está em desenvolvimento. Veja também como o aplicativo trata os dados da criança.

Entre os nossos jogos está escovar os dentes de Bubu; se aí na sua casa a escovação é uma briga, veja nosso guia de escovação para os pequenos.

Perguntas frequentes

  • As crianças aprendem mesmo com aplicativos educativos?
    Podem aprender, mas não com qualquer aplicativo: a Academia Americana de Pediatria (AAP, 2026) associa o conteúdo educativo de qualidade, em pré-escolares, a uma linguagem melhor e mais comportamento pró-social. Os efeitos aumentam quando um adulto participa. Já uma análise de 2021 de 124 aplicativos “educativos” populares descobriu que 58% tinham pontuação de qualidade baixa, então importam o aplicativo que você escolhe e o quanto você participa.
  • Com que idade a criança pode usar aplicativos educativos?
    A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2019) não recomenda tempo sedentário diante de telas antes dos 2 anos e, dos 2 aos 4 anos, no máximo uma hora por dia. Antes de 1 ano, a OMS não recomenda tempo de tela, e dos 2 aos 4 anos acrescenta que quanto menos, melhor. A partir dos 2 anos, escolha aplicativos pelos critérios deste guia e brinquem juntos sempre que puder.
  • Aplicativos gratuitos para crianças são piores do que os pagos?
    Não necessariamente, mas os gratuitos têm anúncios com mais frequência. No estudo publicado em 2019 no Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics, todos os aplicativos gratuitos tinham pelo menos uma forma de publicidade, contra 88% dos pagos, e os anúncios em vídeo que aparecem sozinhos foram encontrados em 54% dos gratuitos e em 2% dos pagos. Na análise de 2021, os gratuitos tiveram pontuações menores, por causa dos elementos que distraem, mas o preço não garante a qualidade: confira cada aplicativo pelos mesmos critérios.
  • Como saber se um aplicativo infantil tem anúncios?
    No Google Play, os aplicativos com anúncios têm na página o rótulo “Contém anúncios”, declarado pelo desenvolvedor. As ofertas de compra têm uma indicação à parte, “Oferece compras no app”, mas só jogando uns 10 minutos você vê o quanto anúncios e ofertas insistem: termine uma fase, erre, deixe o jogo parado por um minuto. No estudo de 2019, os anúncios que aparecem sozinhos surgiam entre as fases ou quando ninguém tocava na tela, e alguns ficavam escondidos em objetos do jogo.
  • Quais são os melhores aplicativos educativos para crianças?
    O melhor aplicativo educativo é o adequado à idade da criança, que a faz pensar, não tem anúncios nem pressão para compras e deixa o controle do tempo com você. Um lugar de destaque na loja não garante qualidade: na análise de 2021, que incluía os 100 primeiros aplicativos educativos para crianças nos rankings das lojas, 58% dos 124 aplicativos tiveram pontuação de qualidade baixa. Confira o aplicativo pelos 8 critérios do artigo, jogue você com ele primeiro e depois usem juntos.

Fontes

  1. Hirsh-Pasek K., Zosh J. M., Golinkoff R. M. et al. (2015). Putting Education in “Educational” Apps: Lessons From the Science of Learning (Psychological Science in the Public Interest, 16(1))
  2. Association for Psychological Science (APS) (2015). Science of Learning Can Help Parents, Developers Grade Educational Apps
  3. Meyer M., Zosh J. M., McLaren C. et al. (2021). How educational are “educational” apps for young children? App store content analysis using the Four Pillars of Learning framework (Journal of Children and Media, 15(4))
  4. Penn State University (2021). Top educational apps for children might not be as beneficial as promised
  5. Meyer M., Adkins V., Yuan N., Weeks H. M., Chang Y.-J., Radesky J. (2019). Advertising in Young Children's Apps: A Content Analysis (Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics, 40(1))
  6. Radesky J., Hiniker A., McLaren C. et al. (2022). Prevalence and Characteristics of Manipulative Design in Mobile Applications Used by Children (JAMA Network Open, 5(6))
  7. Zhao F., Egelman S., Weeks H. M. et al. (2020). Data Collection Practices of Mobile Applications Played by Preschool-Aged Children (JAMA Pediatrics, 174(12))
  8. American Academy of Pediatrics (2026). Digital Ecosystems, Children, and Adolescents: Policy Statement (Pediatrics, 157(2))
  9. HealthyChildren.org (American Academy of Pediatrics) (2026). How to Make a Family Media Use Plan
  10. HealthyChildren.org (American Academy of Pediatrics) (2026). Helping Kids Thrive in a Digital World: AAP Policy Explained
  11. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) (2019). Para crescerem saudáveis, crianças precisam passar menos tempo sentadas e mais tempo brincando
  12. Ajuda do Google Play. Entender as práticas de privacidade e segurança do app com a seção “Segurança dos dados” do Google Play
  13. Ajuda do Google Play Console. Preparar seu app para revisão (rótulo “Contém anúncios”)
  14. Ajuda do Google Play. Fazer compras no app (Android)
  15. Ajuda do Google Play. Cancelar, pausar ou modificar uma assinatura no Google Play

Informações gerais para pais. Não substituem a orientação do pediatra ou do dentista.

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